O Ciclo tradicional da Inteligência e sua história ( Vamos matar o ciclo da Inteligência )

Por: Kristan J. Wheaton
Original em: http://sourcesandmethods.blogspot.com.br/2011/05/part-4-traditional-intelligence-cycle.html

Encontrar descrições do ciclo da inteligência não é difícil. Na prática qualquer organização, empresa ou agência do governo tem uma modesta estrutura de inteligência tem um retrato, em geral o da figura abaixo ( o que, até recentemente, estava disponível no site central da comunidade de Inteligência da agência de segurança nacional dos Estados Unidos, Intelligence.gov ).

Ciclo da Inteligência
Esta imagem do ciclo tradicional é tão difundida que acaba por ser reconhecida como uma teoria amplamente aceita. Na verdade, muitos especialistas do setor privado tem construído muito de suas campanhas de marketing em cima dos benefícios do ciclo.

Da mesma forma é comum ver o ciclo em destaque em publicações oficiais, doutrinas, materiais de treinamento e até mesmo em críticas sobre a Inteligência. Esta arquitetura da Inteligência, em todos as 3 principais sub-disciplinas da Inteligência, são baseadas mais ou menos nesta visão comum que é necessária para exercer esta função.

Apesar da sua popularidade, a história do ciclo não é clara. Regulamentos do exército dos EUA durante a primeira guerra mundial identificam agrupar, identificar e disseminar como atribuições essenciais do que era chamado de Divisão de Inteligência Militar ( Curiosidade: segundo o testemunho do congresso em 1919 todo o orçamento para a Inteligência militar em 1913 foi de US $10.000 – ou cerca de 227.000 dólares em 2011 ), mas não há nenhuma sugestão sobre a sequência destas 3 funções e muito menos de um ciclo.

Em 1926, os oficiais da Inteligência Militar passaram a recomendar 4 distintas funções para a inteligência tática de combate: requisitos ( nota do tradutor: eu entendi esta parte como planejamento, onde se levantam os requisitos ) , coleta , “utilização” ( ou seja, análise ) e disseminação, embora, novamente, não houve nenhuma menção explícita ao ciclo da Inteligência.

A primeira menção direta ao ciclo da Inteligência ( veja a imagem abaixo ) que eu pude encontrar foi neste livro de 1948, Inteligência para Comandantes ( Intelligence for Commanders ) ( mais sobre este livro aqui ). Minha hipótese é de que o ciclo da Inteligência entrou em uso na Segunda Guerra Mundial como um auxílio a formação, mas eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer evidência para corroborar as minhas especulações.

Ciclio da Inteligência em 1948Desde aquele tempo, o ciclo, como uma representação de como funciona a inteligência, tornou-se um padrão. Uma busca simples da imagem pelo Google sobre o termo “ciclo da Inteligência” ( Intelligence Cycle ) rapidamente dá um sensação de que uma grande variedade de agências, organizações e empresas usam uma variantes do ciclo.

(Nota: profissionais de inteligência mais experientes podem querer pular os próximos parágrafos, que delineiam uma versão mais ou menos genérica do ciclo da Inteligência com base na imagem no topo do post. Eu inclui esta parte para que os que não estão familiarizados com o ciclo ou para estudantes de inteligência que possam precisar de uma reciclagem. )

Embora os detalhes reais variem drasticamente ( algo que vai se transformar no próximo post ) em uma descrição típica do processo, o ciclo de inteligência em geral começa com o planejamento e direção ou alguma coisa similar. As premissas normalmente vêm de tomadores de decisão que a atividade de inteligência suporta embora também possa vir de líderes seniores da atividade de inteligência ou também, dos próprios analistas.

É importante notar que a direção e o planejamento podem ser formais, mas muitas vezes são feitos informalmente ( a maioria das variantes do ciclo não fazem esta distinção ). Isto é visto na maioria das vezes, quando não há tempo para um processo mais formal. Atribuições menos formais de tarefas são vistas frequentemente em unidades menores de inteligência, como em ambientes de negócios, ou em unidades onde os profissionais de inteligência e tomadores de decisão tem um relacionamento mais próximo.

Após a fase de planejamento e direção, a fase de coleta, em uma versão normal do ciclo de inteligência, começa. Aqui o profissional de inteligência começa a executar o plano para coletar os tipos de informações necessárias para entender e atender as exigências.

Uma vez que a unidade de inteligência recolhe as informações necessárias, outros profissionais de inteligência dentro da mesma unidade podem ter que processá-las e explorá-las. Processamento e exploração assumem um diverso número de formas, incluindo descriptografar transmissões criptografadas, transformar uma série de conversas em um único relatório coeso, traduzir a informação original de uma linguagem para outra ou de identificação de edifícios ou de outras características em uma imagem áerea, entre outras coisas. Sendo mais claro, o processamento e informação são as fases em que a informação que estava em seu estado cru torna-se utilizável para o maior número de pessoas autorizadas a visualizá-la dentro de uma organização de inteligência.

Com planejamento, direção, coleta e exploração e processamento completos, o foco do ciclo de inteligência tradicional muda para análise e produção, ou a interpretação dos dados coletados e a criação do produto que melhor atenda as necessidade do decisor.

Os analistas precisam de uma variedade o mais ampla possível de fontes de informação, a fim de serem capazes de corroborar outras informações e responder as exigências com as quais estão lidando. Mas o tipo de fonte é muito menos importante do que sua confiabilidade e relevância das informações com relação das necessidades identificadas.

A produção carrega suas próprias preocupações e elas são muitas vezes independente da análise. Se o analista preocupa-se com o conteúdo da análise, o especialista da produção de inteligência está intimamente relacionado com a sua forma. Formulários apropriados, por sua vez, dependem das necessidades e desejos do decisor que a unidade de inteligência suporta. Por exemplo, enquanto o produto da inteligência tradicional dentro de muitas áreas da comundade de segurança nacional dos Estados Unidos é um documentos escrito com um punhado de imagens e gráficos para explicar os pontos principais, os tomadores de decisão de negócios tendem a se sentir mais confortáveis com tabelas, gráficos e dados numéricos acompanhados por algumas explicações pontuais.

A fase final do diagrama é a disseminação. Ali é onde o especialista de inteligência entrega o produto final para o decisor. Enquanto isto soa bastante fácil, tem também uma série de perigos associados a ela. Questões relativas exatamente a quem o documento da inteligência deve ir e exatamente como ele deve chegar lá são fundamentais para esta fase. Por exemplo, a classificação, ou o nível de sigilo ou confidencialidade associada com o produto da inteligência, é uma das questões.

Da mesma forma, muitos países desenvolvidos fornecem a capacidade de se comunicar com alta velocidade de comunicação de dados e voz. Mas em muitos casos, principalmente em inteligência, tais capacidades são raras ou sofrem degradação devido ao isolamento geográfico. Nestes casos, a largura de banda disponível determina onde ( e se ) o produto final da inteligência deve ser enviado por via eletrônica.

Próximo: Crítica ao ciclo

Outros artigos da série :

  1. Vamos matar o ciclo da Inteligência
  2. Iremos retornar a nossa programação regular em um minuto …
  3. A desconexão entre a teoria e prática

 

ataliba

Analista de Sistemas com especialistas em Unix/Linux e Redes de Computadores aprendeu a gostar de segurança da informação durante sua atuação profissional e após uma Pós, se apaixonou por inteligência e ContraInteligência.

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