Parte 3 – A desconexão entre a teoria e a prática ( Vamos matar o ciclo da Inteligência )

Por: Kristan J. Wheaton
Original em: http://sourcesandmethods.blogspot.com.br/2011/05/part-3-disconnect-between-theory-and.html

Artigos anteriores

1. Vamos matar o ciclo da Inteligência ( Pesquisa Original )
2. Iremos retornar a nossa programação original em um minuto ( Vamos matar o ciclo da Inteligência )

Parte 3 – A desconexão entre a teoria e a prática

Inteligência não é algo que simplesmente aparece, isto soa antógeno; inteligência é algo que é feito, um processo. Esta idéia, de que a Inteligência é um processo, é um dos pontos menos controversos entre os profissionais de Inteligência.

No entanto, uma descrição geral do processo de Inteligência — isto é, uma melhor maneira de caracterizar e classificar os elementos consistentes nas sub-disciplinas da Inteligência — ainda é uma questão teórica que requer discussão, ou seja, está em aberto.

Os profissionais de Inteligência já sabiam a um bom tempo que a forma tradicional de descrever o processo de Inteligência, o chamado “Ciclo da Inteligência”, é falho; e até o momento nenhuma das alternativas propostas conseguiram capturar todas as nuances do processo ou, para esta matéria, o pensamento da comunidade de Inteligência.

Esta desconexão entre teoria e prática, entre as imperfeições do ciclo da Inteligência e o modo como a Inteligência é feita atualmente pela comunidade. Eu voltarei a este tema diversas vezes durante esta série de posts, o que é útil para termos uma noção dos custos associados com a perpetuação de um modelo que não traduz completamente o processo.

  • Por exemplo, sem um consenso sobre a forma em que a inteligência “acontece”, ou seja, como ela trabalha nas suas várias sub-disciplinas da aplicação da lei, negócios e Inteligência de Segurança Nacional, é impossível estudar melhorias potenciais ao processo.
  • Além disto, os modelos propostos são susceptíveis de ser imperfeitos, incapazes de resolver os problemas sistêmicos porque o próprio sistema é mal compreendido.
  • Além disto, formar alunos em modelos que falham quando são aplicados pela primeira vez no mundo real reduz o valor real da formação, e lógico, a moral das pessoas que foram treinadas.
  • Orçamentos ( budget também é um termo muito utilizado aqui no Brasil ) construídos em cima de um modelo falho provavalmente vão alocar errado os recursos e exigir um trabalho enorme em soluções de contorno que irão consumir ainda mais os recursos já escassos.
  • A contratação de pessoas para cargos criados sobre um modelo doentio do processo garantidamente gerarão incompatibilidades entre os termos de habilidades e competências necessárias versus as habilidades e competências adquiridas.

E a lista continua.

Nesta série de posts, vou começar por analisar o atual ciclo de Inteligência e algumas das críticas sobre o mesmo. Em seguida, vou examinar as alternativas ao ciclo da Inteligência. Finalmente, vou expor minha própria compreensão do processo. Embora cada projeto de Inteligência seja diferente, minha própria experiência e as provas que foram coletadas ao longo dos últimos oito anos indica que existem padrões nesta atividade, seja nos campos da segurança nacional, de negócios ou aplicação da lei, que são consistentes com a profissão da Inteligência.

O objetivo final deste exercício, então, é delinear essa nova descrição do processo o mais claramente possível baseado na Inteligência, como ele é praticado, em toda as suas sub-disciplinas e, independentemente do tamanho da atividade de Inteligência envolvidos. Além disto, eu quero equilibrar a necessidade de simplicidade e detalhes para que esta explicação do processo seja acessível a todos os estudantes de Inteligência — em qualquer idade e nível de experiência.

Próximo: O Ciclo Genérico

ataliba

Analista de Sistemas com especialistas em Unix/Linux e Redes de Computadores aprendeu a gostar de segurança da informação durante sua atuação profissional e após uma Pós, se apaixonou por inteligência e ContraInteligência.

Você pode gostar...