STALLMAN – O ETERNO INCONFORMADO

Richard Stallman é um cara que é amado e odiado, tanto por pessoas de fora do Software Livre, quanto de dentro do próprio movimento. Suas idéias chegam a incomodar até quem, em alguns momentos, precisa utilizar um softwarezinho proprietário, porque ele não resolve em 100% aquilo que ele precisa.

Somando-se a isto a idéia de que nem todo usuário de Software Livre, sabe programar e modificar os seus programas a seu bel prazer, as idéas do Stallman, realmente, em alguns momentos podem deixar muita gente, digamos, inibida de adotar o SL, por vê-lo como algo feito por hippies malucos estudantes de computação.

Logicamente, todo evangelizador, acaba tendo que ser um pouco radical, e talvez, este papel tenha sobrado para Stallman.

Por ser ele o símbolo, ou melhor, o cara que dá a cara a tapa quando se fala de Free Software Foundation, ficaria meio estranho, que ele defendesse, digamos, em algum momento os interesses de grandes corporações.

Richard Stallman

Richard Stallman

Assim, ele segue a risca tudo aquilo que prega, para não soar como um líder traidor, como muitos já foram por aí ( fundação gnome que o diga … ).

Mas, mesmo sendo radical e maluco, bem que ele em alguns momentos poderia realmente ver qualidades nas atitudes de quem está tentando se aproximar, mesmo que pouco, da cultura do SL e da informação livre.

O RadioHead, foi um dos exemplos mais atuais disto. Eles disponibilizaram seu novo álbum na internet, onde as pessoas pagam por ele o preço que acharem que devem. Uma iniciativa legal, e por sua vez, altamente interessante em uma atual cultura de piarataria, que acontece pura e simplesmente por culpa das gravadoras.

Mas, nosso eterno defensor da cultura do SL, achou que eles poderiam ir além e divulgar as músicas no obscuro formato Ogg Vorbis. Se ele está certo ou não, em criticar por tudo vir em MP3, não sei, mas o pessoal do RadioHead a meu ver, está de parabéns.

Se mais e mais bandas pensassem assim, a cultura da pirataria desapareceria. Por mais que eu concorde que a pirataria é crime, fica impossível pagar o preço que as gravadoras querem pelo seu produto.
No Brasil, o grosso da população vive de salário mínimo e, ainda, tem o hábito de ouvir as músicas da moda. Tais artistas tem uma vida útil de no máximo três a quatro meses.

O cara chega na loja para comprar o cd original e ele está mais ou menos 30 reais ( fazendo uma média de preço ). Este valor é quase 10% do salário do cara. Logicamente que ele vai preferir ir ali na esquina e comprar o cd genérico, por 5 reais, pois 5 reais não pesa no orçamento.

E, se o cd fosse 12, até 15 reais, garanto que muita gente optaria pelo original.

Assim, não adianta criticar simplesmente a pirataria como a maioria dos artistas alienados por aí tenta fazer de todo jeito. Vamos lutar para baixar os custos de divulgação de um disco, para que ele fique realmente acessível a todos.
E aí, garanto, entre 5 reais no piratão e uns 12, 15 reais, no original … a maioria do pessoal vai realmente optar por comprar o original.
Nem vou entrar na discussão sobre qualidade musical … porque isto é assunto pra outro post …